segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Gosto de colecionar algumas inutilidades
cartas de baralho e sementes de árvores
tudo que é rico ao coração
e às larvas do quintal.
São delicadas e absurdas
minhas vontades e plenitudes,
vôo de balão
corrida de velocípede
escorregos na pele alheia.
Sorrio com miudezas e profundidades
como uma úmida e leve brisa,
um maracujá com açúcar
e brincadeiras de roda.
Sei de tudo que não existe
e de muito que poderia acontecer.
Sou poeta de infinitos,
vivo com os cosmos e suas
cosmodidades.
Não pertenço a classes,
mas a zumbidos
floridos estampados nos vestidos
e nuas borboletas de carmim
e serafim.
Não sei muito dos fins
apenas dos começos das coisas,
o primeiro beijo
a primeira tempestade
e a primeira cigarra
que canta no limiar da noite.
Gostaria de recomeços,
mas sinto que incomodaria
os bem-te-vis e colibris.
Sou absurdo
marginal
eclético,
e só sei de inutilidades
poéticas.

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