a todos amantes livres
As brincadeiras de pele
me deleitam;
são como terremotos,
placas epidérmicas
que se roçam
se buscam
se penetram em busca da carne.
A pele é toda mineral,
traz em si a cristalização de todo desejo,
palco de espetáculo
onde são lançadas as bailarinas.
Corpo de baile.
A saliva preenche os poros;
um dilúvio delicado,
caminho fecundado
para a folia de Carnaval.
Me aproximo da sua boca como um folião,
te visto com minha fantasia de poesia
e atinjo sua boca
como um pássaro sem rumo
em busca de néctar.
Ah, seus lábios de oceano,
esse marolar intenso de tempestade...
como sobreviver?
como navegar?
Me ignoro,
deixo levar;
prefiro o afogamento na sua folia
a doçura de sua salinidade,
seus suculentos lábios;
maremoto.
Não há segundos de calmaria,
são beijos e mordidas apaixonadas,
botões de primavera
que já nascem sorrindo.
Carícias,
o corpo já um Universo
e a poesia maior ainda.
Tudo é eternidade e espetáculo,
línguas malabaristas,
corpos em ebulição.
Caminho sobre seus beiços
como numa corda bamba,
equilibro vontades
percorro infinitos
palhaceio em seu terreiro.
Me deixa, menina,
ser seu arquétipo,
seu sonho de verão
sua lona de circo,
que nesta noite te deixo
ser minha voz
minha sina
minha Colombina.
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