De repente, sua voz.
Num ordenado caos, sua voz.
Numa matinal explosão, sua voz.
Deslize. Oceano.
Sua voz a ser minha canoa,
que sustenta os sonhos
recém colhidos da rede.
Penetra as gotas que me percorrem,
deixando rastros de cometa
nessa doce constelação
de poros e pêlos.
É uma filarmônica,
sussurrada como um segredo
para não perturbar os insetos do mundo.
Embala no refrão dos apaixonados
a movimentação das abelhas,
que mergulham em ambrosia,
o primeiro vôo da lagarta então alada
e a linear ciranda das formigas em marcha.
Sua voz...ah, sua voz...
Desagregou átomos,
que pela primeira vez
voaram livres de suas estruturas.
Vi fusões de poemas,
o povo nas ruas,
como pulgões na superfície
de uma folha.
Ouvi sua voz, que alegria!
Senti os desejos do mundo
fluindo com meu sangue
numa procissão de Carnaval.
Sua voz, sua voz...
No ímpeto do poeta, sua voz.
Na diluição da calma, sua voz.
No continuar do infinito, sua voz.
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