quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Às árvores solitárias,
isoladas nos campos uniformes,
despreendidas de sonho e comunhão,
dedico esse triste poema
de solidão e pernúria.
Vagas vozes lhe chegam no vento,
mas é feita de luta e intempérie
sua bruta seiva,
lágrima estonteante
carregada de desespero
e tristeza lenhosa.
Branda resistência
de quem assistiu a violência
e ficou ali,emudecida,
gritando um silêncio profundo
que abalou rocha e rio
e ardeu em fúria nos corações.
Árvore solitária,
poupada em sua miséria
e contorção.
Esse é um poema de desespero,
desesperado e inútil,
solto no correr do tempo
que te corrói em ranhuras,
como cicatrizes de fúria
a crescer em sua sombra.
Mártir vegetal,
símbolo de persistência e força,
que esse poema reverbere nos astros
e em suas raízes cansadas;
que soe doce essas palavras
em seu fluir interior de águas,
e te acalme a dor e expanda o grito,
com suaves palavras
feitas com meu sonho e sangue
dizendo tranquilo em sua fronte
poemas e palavras de amor e chama.

Nenhum comentário:

Postar um comentário