sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


Você não me completa.
Na verdade, o sentimento é completamente oposto.
Você me incompleta,
distorce o mundo já feito
e se abre a mim,
como uma flor de hibisco,
a infinitas possibilidades.
Com você, há sempre uma carta a escrever.
Nada parece suficiente
frente ao tudo que você me representa.
Há sempre um sentimento novo
no amar-te
que precisa ser apalpado
pela minha precoce poesia
e cheirado
cheio de desejos e ardências.
O mundo se dispersa
em você.
Te sinto em tudo que toca,
me choca, me chama
e me embeleza.
Mas parece que a tudo falta algo,
sua presença não está lá
para ser digno do amar.
São paixões,
dessas que se tem com tudo.
Com você há sempre um mundo
a ser explorado,
um novo ângulo para te fitar,
uma sensual geografia
para ser cuidadosamente beijada,
um grito novo a ser cantado
pelos pássaros.
Não quero completar-me,
terminar-me nem falso ser tudo.
Quero mais esse seu corpo
de profundo vazio
que faz o tudo que minha vida pronuncia.
você é o espaço do meu possível,
o impossibilitar da perfeição,
minha quente utopia,
minha eterna revolução.

Nenhum comentário:

Postar um comentário