quinta-feira, 31 de maio de 2012

A vida é vibração
e canto.
E eu?
Pulso essa mesma frequência
esse desatino
esse louco canto
animal?
Talho em minha carne esse lembrete,
mas ainda ajo como se houvesse tempo
a ser vomitado
e escancarado às minhas vergonhas.
Eu vibro?
Eu canto ainda
os cantares malditos
proféticos e enamorados?
Me arrasto ainda à vida
que repousa logo à frente
solene
lamuriosa
a me olhar com pena.
Quão forte é meu canto
chiado
sussurro
silêncio?
Como posso calar-me ao me ver potencial
a espera de cataclismas
fins de fins
começoes maltratados das coisas
digestões enfermas?
Que me doa cada letra entoada
cada corte feito na alma
para que enfim entenda
essa pura verdade que me assola:
a vida pulsa, grita
vibra e canta,
mas não espera.

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