Desaprendemos a escutar os outros.
Parece que não pulamos mais
nesse poço de cachoeira,
garganta profunda de gritos
interrompidos;
temos demasiado medo
de cobras e chacais
vagando na calada da noite.
Desaprendemos a escutar os delírios
os sonhos mal formados
as estórias de ferro e fogo
os desejos crepitantes
as crenças imemoriáveis
dos outros a nosso redor.
Ficamos apenas na superfície da pele,
parece que não mais vagamos
as incertezas das entranhas
e das carnes mais profundas das
pessoas.
Vivemos um desencostar,
um invisível casulo mal cristalizado
que nos comprime amor e devaneio
e não nos deixa sentir as angústias,
as vitórias
e as celebrações dos outros.
Peço humildemente
aos tantos que se desesperam
que se acariciem mais,
ouçam as pulsações do coração
dos desconhecidos
e se deixem maravilhar
pelos desencontros e esperanças
das vidas dos homens e mulheres.
Dispa-se de medo e sombra
e saboreie sua diversidade
em idiomas alheios a sua alma.
Reaprendamos a ouvir delicadamente
e o infinito desprenderá
dentro de nós.
quantos de nós sentimos que precisamos encostar mais em homens e mulheres de medos e anseios internados? que se assumiam os que não se importam em sentir de perto todas as pulsações de todos os que nos cruzam. só na "assumição" é possível tirar este sumiço da caricia que nos faz desaprender que somos mais carnais e frutos do primitivo do que havíamos imaginado.
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