terça-feira, 8 de novembro de 2011


É madrugada
e a chuva escore lenta
pelas janelas.
Estou acordado por buscar
liberdades fluidas
e frias fragilidades,
por construir mundos de amor
e serenidades
nas noites profundas
e por arder em chamas
em lençóis emaranhados
de sonhos.

É madrugada.
A chuva é fina
mas corta a carne dura
e as tremedeiras de febre.
Não é um mundo para
sonhadores
nem para adoradores de orquídeas.
Todo silêncio da noite
sabe disso.
Corpos escuros
se procuram na sombra.

É madrugada
e os cães latem sutilmente.
Araras dormem em seus poleiros
enquanto eu arquiteto desejos,
vontades mal amadas
e realidades triviais.
Sou filho da pele e do toque,
não sou escravo de nada
nem santifico imagens.
Me crio nessa chuva de verdades;
é madrugada
e amanheço o dia
em cristais de verso e prosa,
devoro o mundo em minhas mãos
e costuro sentimentos
de luta e seda.

Sou eu meu próprio dia
a crescer triunfante
no horizonte.

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