terça-feira, 15 de novembro de 2011


a Antônio Ruoppolo

Em meio à tarde,
último dia da Criação,
vi-me nos olhos de meus avós:
na tradição das bonequinhas alvas brancas de porcelana
no armário requintado colonialmente
eis lá que vi
a bonequinha negra, baiana
êta, mainha!
E como se não bastasse aquela presença rebelde,
ouvi com ouvidos claros
um “quiçá” na língua de meu avô.
Vi, diante de meus olhos,
anos e décadas e séculos de macarronada virem abaixo
as duas Guerras esquecidas no baú
e minha rebeldia adolescente fez todo sentido
nos olhos daquela baiana
e na língua daquele italiano.

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